Ansiedade: de onde vem e como diminui-la?


Ansiedade é um estado psíquico de apreensão ou medo provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa.

A ansiedade pode:

  • Afetar a capacidade de funcionamento do indivíduo;

  • Limitar qualquer área de sua vida;

  • Ser responsável por insônia;

  • Levar ao uso de substâncias psicoativas;

  • Levar à depressão;

  • Levar ao suicídio;

  • Associar a problemas cardíacos, hipertensão, desconforto gastrointestinal, doenças respiratórias, diabetes, asma, artrite, problemas de pele, fadiga e outras condições. ​

Sintomas da ansiedade

Sintomas físicos

  • Dor no peito

  • Dor de cabeça

  • Formigamento

  • Tontura

  • Palpitações

  • Alterações gastrointestinais

Sintomas psíquicos

  • Insônia

  • Irritação

  • Tensão

  • Inquietação

  • Perda de concentração

6 transtornos da ansiedade

  1. Fobia específica

Medo de um estímulo ou situação específica: aviões, elevadores, água, certos animais, etc.

Atinge cerca de 12% das pessoas.

  1. Transtorno de pânico

Medo de suas próprias reações fisiológicas e psicológicas a um estímulo – em essência, medo de um ataque de pânico.

Atinge cerca de 3% das pessoas.

  1. Transtorno obsessivo-compulsivo

  • A pessoa tem pensamentos recorrentes ou imagens (obsessões) que considera estressantes.

  • Há uma necessidade urgente de realizar certas ações (compulsões) que neutralizaram essas imagens.

  • Atinge cerca de 3% das pessoas.

  1. Transtorno de ansiedade generalizada (TAG)

Uma tendência em se preocupar continuamente com um monte de coisas. Os pensamentos se voltam para a imaginação de todas as possíveis consequências negativas e as maneiras de impedi-las.

O transtorno, muitas vezes, é acompanhado de sintomas físicos de estresse, insônia, tensão muscular, problemas gastrointestinais, etc.

Atinge cerca de 9% das pessoas.

  1. Transtorno de ansiedade social (TAS)

Medo de ser julgado pelos outros, especialmente nas situações sociais. Essas situações incluem apresentações, festas, encontros, comer em locais públicos ou simplesmente encontrar novas pessoas.

O transtorno pode ser acompanhado do uso de drogas e álcool.

Atinge cerca de 14% das pessoas.

  1. Transtorno de estresse pós-traumático (TEPT)

  • Envolve o medo excessivo, causado por exposição anterior a uma ameaça ou danos. Traumas comuns são o estupro, a violência física, acidentes graves e exposições a guerras.

  • As pessoas reexperimentam seus traumas sob a forma de pesadelos ou flashbacks e evitam situações que tragam lembranças perturbadoras. Exibem irritabilidade, tensão e hiper vigilância.

  • É comum o uso de álcool e o abuso de drogas, para alívio dos sintomas, depressão e desesperança.

  • Atinge cerca de 14% das pessoas.

Ansiedade normal X ansiedade patológica

HISTÓRIA DO PRÉ-HISTÓRICO STANLEY

Stanley o neurótico pré-histórico.

  • Olá Stanley. Meu nome é Bob e sou novo aqui. Você tem um tempo para conversar?

  • Não dá para ver que estou ocupado? Estou com pressa. Acho que vai chover e eu não estou com minha pele de leão. Quer dizer posso pegar um resfriado, ficar com febre. Mas o que você quer?

  • Queria saber um pouco sobre você.

  • Fiz algo errado? Achei que tinha apagado o fogo na semana passada – alguma coisa incendiou? Tento ser cuidadoso, mas nunca se pode ter certeza.

  • Não Stanley, eu gostaria de saber como é a sua vida.

  • Minha vida? Bem, primeiro, não consigo dormir. Fico acordado a noite inteira, preocupado com os tigres e lobos da floresta. Disseram me que esse lugar é seguro, mas ouvi histórias que fariam você ficar arrepiado.

  • Você tem insônia então?

  • Não sempre. Mas não conseguir dormir me deixa louco. Não paro de dizer para mim mesmo Stanley durma um pouco. Você não prestará para nada se não dormir um pouco.

  • Stanley, como é essa área?

  • Perigosa. Tenha cuidado na ponte. Não sei quem foi o desastrado que amarrou aquela coisa, mais é mais fácil de cair com um passo em falso. E então terá que encontrar um médico.

  • Então você tem medo de altura?

  • Só um idiota não teria. A altura mata. E não é a queda que mata, mas o afogamento. Mês passado dois caras que se achavam muito machos pegaram dois pedaços grandes de madeira e os amarraram tentando fazer com que boiassem. Eles se afogaram. Mas pensavam que sabiam tudo. Eles me diziam: “Stanley você está sempre preocupado – sempre tão negativo. Não é bom para sua digestão pensar assim”. Bem eles estão no fundo do mar e eu estou aqui falando com vocês. Quem é que se deu bem?

  • Segundo a história do pré-histórico Stanley

Para que a ansiedade é útil?

  • Stanley pode parecer neurótico, mas foram os Stanleys que sobreviveram neste mundo.

  • Sobreviveram por causa de suas ansiedades.

  • Quem não fosse ansioso o suficiente simplesmente não sobreviveria.

Ansiedade foi uma ferramenta de sobrevivência

  • A ansiedade não surge em nossas mentes por acaso.

  • Não é o resultado de algum erro que cometemos.

  • Não é algum defeito de personalidade.

  • Não foi gerada na confusão de nossa infância.

Regras universais da ansiedade

Detecte o perigo

  • Quando você está ansioso, o processo começa pela crença de que a precisa prever todo e qualquer perigo.

  • Se for possível, sua mente orienta você, então poderá ter todas as informações sobre o que pode dar errado, e assim estará em condições de enfrentar a situação.

  • De acordo com a sua mente, quanto maior o número de perigos em que você pensar, mais preparado para lidar com eles – isto é, mais seguro – você estará.

  • A realidade, é claro, é que quanto mais você pensa em perigos, mais ansioso você é, e mais perturbado ficará.

  • Em poucas palavras, sua própria vigilância lhe causa mal.

  • Quando suas emoções são dominantes, sua capacidade de identificar o que é e o que não é perigoso se perde.

  • Uma vez aberto os “arquivos do medo” no cérebro, é difícil fechá-los.

  • Tudo o que você encontra ao buscar mais informações são outros “arquivos de medo”.

  • A mente está supostamente envolvida no “raciocínio”, em buscar evidências, mas a única evidência que ela consegue ver – é aquela oferecida pelas emoções.

  • E a única evidência que você busca quando está ansioso é a de que está em perigo.

  • Quanto mais você procura, mais assustadora se torna a evidência.

Transforme o perigo em catástrofe

  • Qualquer consequência negativa que você possa perceber que esteja se apresentando, se chegar a você, será intolerável.

  • Qualquer fardo estará além de sua capacidade de resistir.

  • Mesmo situações casuais podem estar repletas de maus pressentimentos e das piores expectativas que se possa imaginar.

  • Não há espaço para refletir sobre o perigo, coletar informações, consultar os outros ou formular uma resposta prudente.

  • Mesmo que a situação temida estiver distante no futuro, alguma coisa em você exige que se lide com ela imediatamente.

  • Uma vez identificada a ameaça futura, não haverá descanso enquanto ela não tiver sido evitada – a pessoa não relaxa, não aproveita situações prazerosas e não presta atenção aos outros assuntos (possivelmente mais sérios).

  • No momento que temos um pensamento ansioso, já estamos em situação problemática.

Controle a situação

  • É a crença de que você tem o poder de impedir que todas as coisas ruins aconteçam.

  • Sua mente afirma que se você não controlar as coisas elas causarão problemas.

  • Que a sua segurança depende de sua capacidade de controlar todos os fatores de seu ambiente.

  • A percepção de que você não é capaz de controlar todos esses fatores, faz com que você se sinta ainda mais ansioso.

  • Formam-se os rituais.

  • Quando os desastres não acontecem, você agradece aos deuses. Quando eles acontecem você reforça os rituais.

Evite ou escape

  • Se o controle total for impossível, talvez a maneira de evitar a ansiedade seja a de evitar a situação como um todo.

  • A crença subjacente a essa estratégia é a de que os riscos podem ser eliminados pela recusa de enfrentá-los.

  • A segurança reside na manutenção da ilusão de segurança.

  • Uma consequência dessa regra é a paralisia.

  • Quando nossa convicção subjacente é a de que não podemos lidar com qualquer desconforto, nossa vida fica cercada por todas as espécies de limitações, que nos mantêm imóveis, passivos e escondidos.

  • Uma manifestação comum da paralisia que nos acomete é a indecisão.

  • Nossa ansiedade leva a procrastinação, acreditamos que é importante não agir até que estejamos prontos e enquanto nos sentirmos ansiosos em relação a uma situação, a adiaremos.

Obedecer a essas regras hoje, talvez seja a melhor maneira de desenvolver o que nossa sociedade chama de transtorno de ansiedade.

Teste de segurança

  • O que a maior parte das pessoas pensam ou faz nesta situação?

  • O que a maior parte das pessoas pensa ser razoável nesta situação?

  • Quais são as probabilidades de as coisas correrem bem nesta situação?

Regra da pessoa razoável ou regras de plausibilidade

  • Se as probabilidades são de bilhões para um, confie nelas.

  • Se quiser absoluta certeza, terá de se acostumar a ter ansiedade e depressão pelo resto da vida.

  • Para livrar-se da ansiedade você terá que desistir da certeza da perfeição.

Podemos criar novas regras e com elas, rompemos com todas as regras antigas, livrando-nos da ansiedade desnecessária.

Velha regra: Detecte o perigo.

Nova regra: Veja as coisas de uma maneira realista.

Faça a si mesmo as seguintes perguntas:

  1. Estou usando as informações de que disponho ou só seus aspectos negativos?

  2. Estou fazendo previsões com base nos fatos ou simplesmente em emoções?

  3. A minha imaginação está fazendo uso do que tenho de melhor?

  4. Avaliei a probabilidade do resultado que temo?

Velha regra: Transforme o perigo em catástrofe.

Nova regra: Normalize as consequências.

Faça as seguintes perguntas:

  1. O que de fato aconteceu no passado?

  2. O que há de pior e qual a probabilidade de isso acontecer?

  3. Quais seriam os resultados ruins se esse algo de pior de fato acontecesse?

Uma vez que você pensa na ansiedade como um fluxo de energia – ou um simples “ruído” – poderá se livrar dela.

Velha regra: Controle a situação.

Nova regra: Abandone a necessidade de controlar.

  1. Ao usar essa nova regra, você aprenderá que os seus pensamentos, sensações

e emoções ansiosas diminuirão por conta própria.

  1. Você aprenderá que não há nada a temer, que tudo era um alarme falso.

  2. Descobrirá que pode descansar, relaxar, observar e tomar distância desse

alarme.

  1. É o ruído que o incomoda – mas só se trata de ruído. Abandonar a necessidade

de controlar o ensinará a se sentir seguro.

  1. Em vez de você controlar seus pensamentos, sentimentos e sensações, faça duas

coisas observe-as ou mergulhe nelas.

Velha regra: Evite ou escape.

Nova regra: Assuma sua ansiedade.

  1. Busque experiências que o deixam ansioso.

  2. Faça-o quando estiver ansioso e desconfortável – não espere até o momento

de ficar pronto.

  1. Aceite riscos razoáveis.

  2. Aguente o máximo que puder.

Mensagem das novas regras para você:

“As coisas são bastantes seguras. Meus pensamentos, sentimentos e sensações são simplesmente minha imaginação e meu estado de alerta. Nada está acontecendo, exceto a presença de muitos ruídos e de muitos alarmes falsos. Não preciso controlar nada. Na verdade, vou deixar que todo esse estado de alerta causado pela ansiedade se vá, vou me render a ele, vou flutuar sobre ele, vou observá-lo – vou até me divertir com ele. Consigo fazer as coisas mesmo quando estou ansioso. Na verdade, aprenderei mais e ficarei mais forte se fizer as coisas quando estiver ansioso.”

Featured Posts
Recent Posts
Archive
Search By Tags
Follow Us
  • Facebook Basic Square
  • Twitter Basic Square
  • Google+ Social Icon

© 2018 by Interstatus

Logo IS.png