Dependência Química: Tipos de Tratamento

November 16, 2018

A dependência química é uma doença que interfere em todos os aspectos da vida do paciente dependente. Infelizmente está cada vez mais atingindo um número maior de indivíduos

 

Cada dependente químico estabelece uma relação diferente com a droga e cada um apresenta necessidades diferentes.

Isso acontece porque a dependência química resulta da interação de vários aspectos da vida do indivíduo: biológico, psicológico e social. Desse modo, as intervenções devem ser diferenciadas para cada indivíduo e devem considerar todos os aspectos envolvidos.

 

Não existe um tratamento único para a dependência química.  Na maior parte dos casos as técnicas usadas para o tratamento precisam ser constantemente reavaliadas durante o tratamento e adaptadas ao momento do paciente.

 

O tratamento de um dependente pode ser feito de várias formas. Vamos abordar alguns tipos de tratamento utilizados atualmente.

 

 

Tipos de tratamentos usados:

 

 

  • Grupo de ajuda ou apoio: 

Esses grupos caracterizam-se por serem gratuitos e amplamente disponíveis em todo o país.

O tratamento é baseado em reuniões em que os dependentes químicos compartilham histórias com pessoas que passaram ou ainda passam pelas mesmas situações que eles, recebem conselhos de especialistas, apoio. Com isso, eles se orientam pela experiência dos demais participantes e pela identificação com eles

Os grupos são programas populares, como os dos 12 passos empregados pelos Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA) e, segundo pesquisas, costumam ser bem-sucedidos.

Os resultados obtidos também são provenientes do contato e apoio social obtido, e de treino para lidar com as pressões da vida diária.

 

  • Terapia de Grupo:

 

A Terapia de Grupo é uma alternativa para atender um maior número de pessoas, em um menor tempo, e, portanto, com um custo mais baixo. É considerada uma alternativa viável e efetiva. O tratamento em grupo de dependentes de drogas vem ocupando um espaço amplo, mas o seu estudo ainda é restrito, pois exige uma metodologia de avaliação muito rigorosa.

 

  • Terapia Familiar:


A Terapia de família é extremamente importante, conflito familiar e a falta de conhecimento sobre a doença da dependência química interfere diretamente no tratamento; costuma-se indicar terapia de família sistêmica para uma maior eficiência no processo.

 

  • Terapia Comportamental Cognitiva:

 

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é um tipo de abordagem psicológica que visa corrigir as distorções cognitivas (pensamentos e crenças mal adaptativas) e os comportamentos inadequados que o usuário tem em relação à droga.

A abordagem básica da TCC pode ser resumida em ” as situações que favorecem o uso de drogas. As sessões seguem uma estrutura padronizada e os indivíduos têm papel ativo no tratamento.

 

  • Internação em Clínicas de Reabilitação: 

 

Nesse tratamento, o dependente passa um tempo determinado nessas unidades. Fica longe de seu convívio social, de suas atividades rotineiras e passa por etapas diferentes de tratamento. O tempo de internação varia de acordo com a avaliação médica.

O tratamento do paciente dependente deve ser planejado buscando-se não somente interromper o uso da droga, mas visando a reinserção do paciente em novas atividades sociais, profissionais, familiares e a prevenção de recaídas. O processo de tratamento que pode durar em média de 1 a 5 anos.

A desintoxicação pode ser realizada em três níveis com complexidade crescente: tratamento ambulatorial, internação domiciliar e internação hospitalar. No tratamento ambulatorial e na internação domiciliar, sempre que necessário, utilizam-se medicamentos para o alívio dos sintomas (benzodiazepínicos, antipsicóticos, entre outros).

 

  • Internação em Comunidades Terapêuticas

 

As comunidades terapêuticas são instituições para tratamento de dependentes químicos disponíveis no nosso meio, com as mais variadas orientações teóricas e, em geral, utilizam uma filosofia terapêutica baseada em disciplina, trabalho e religião.

Esse recurso deve ser reservado para indivíduos que necessitam de um ambiente altamente estruturado e para aqueles com necessidade de controle externo (nenhuma capacidade de manter abstinência sem auxílio). Algumas disponibilizam atendimento médico e devem ser preferidas quando houver a possibilidade da indicação de uso de medicação por comorbidade ou por dependência grave.

Em geral, são dirigidas principalmente por pessoas que se recuperaram de uma dependência, e são isoladas geograficamente.

As comunidades terapêuticas são caracterizadas por uma combinação de “teste de realidade” (através da confrontação do problema relacionado ao uso de droga do indivíduo) e de apoio dos funcionários e de co-residentes para a recuperação. Elas têm geralmente uma linha muito similar à dos grupos de autoajuda.

 

  • Tratamento Ambulatorial: 

 

Nesse tratamento, o paciente pode manter suas atividades normais, porém faz visitas regulares à clínica para um acompanhamento com o terapeuta e, se preciso, com o psiquiatra.

Em decorrência do convívio social, as chances de recaídas são maiores, o que requer vigilância redobrada.

 

  • Prevenção de Recaída:

 

A prevenção de recaída também é uma etapa importante para a manutenção da abstinência.  Esta etapa do tratamento tem como objetivo ajudar o paciente dependente a encontrar um novo estilo de vida e a aprender estratégias que o afastarão do uso de drogas e de possíveis recaídas.

 

Dentro do modelo de prevenção de recaída, além da incorporação dos aspectos cognitivo-comportamentais , além de promover amplas modificações no estilo de vida do indivíduo.

Um conjunto de procedimentos terapêuticos empregados para ajudar indivíduos com problemas relacionados ao álcool ou a outra droga a evitarem ou enfrentarem uma recaída ou deslize. Os procedimentos podem ser usados em combinação com outros tratamentos e abordagens terapêuticas, desde que baseados na moderação e na abstinência. Através desta técnica é possível ensinar o paciente, estratégias de enfrentamento para evitar situações consideradas como perigosos precipitantes de recaída e, através de repetição mental e de outras técnicas, a fim de minimizar o uso da substância uma vez que um deslize tenha ocorrido.

 

  • Reabilitação Cognitiva:


Uma vez realizada a abstinência, alguns pacientes dependentes que tiveram muitos prejuízos econômicos, sociais, pessoais ou neuropsicológicos, ou que se encontram em situação de marginalização, precisarão de um suporte para realizar a reabilitação cognitiva e social. 

 

Este processo passa, por vezes, pela avaliação neuropsicológica para se avaliar problemas na concentração, memória, nas funções executivas ou outros aspectos que possam influenciar na tomada de decisões do paciente. Caso haja algum déficit um tratamento de reabilitação neuropsicológico pode ser indicado.

 

  • Coaching:

 

A outra etapa é a preparação para o retorno a uma vida ativa, em sociedade e com a inserção de uma atividade profissional que possam ajudar o paciente a retomar a sua autoestima e o convívio na sua comunidade.

O processo de coaching é muito importante neste momento. Ele ajuda o paciente a estabelecer metas, ter foco e realizar um planejamento viável para seu desenvolvimento.

 

 

Em qualquer uma das opções, os objetivos da desintoxicação são:

 


• Alívio dos sintomas existentes;
• Prevenção do agravamento do quadro (convulsões, por exemplo);
• Vinculação e engajamento do indivíduo no tratamento.

 

A dependência afeta vários aspectos da vida do paciente ela demanda uma abordagem multidisciplinar por uma equipe composta ao menos por médicos, enfermeiros, psicólogos, especialistas de neuropsicologia, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e outros profissionais.  

 

Todos os tratamentos exigem esforço em conjunto tanto do paciente como da equipe médica e da família: demanda tempo, paciência, força de vontade, foco e também compreensão desta etapa de superação do paciente.

 

 

 

 

 

 

Fontes:

 

www.gruporecomeco.com.br

www.crr.medicina.ufmg.br

www.portaleducacao.com.br

 

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